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Existem momentos em nossas vidas que atravessamos períodos de crises, sejam elas de natureza afetiva, existencial, financeira, entre tantas outras, as quais se apresentam como uma vivência disruptiva, ou como um período de desordem e que normalmente resulta em sofrimento psíquico. Momentos onde tudo que até então era (ou parecia) sólido em nossa vida, parece desmoronar; as certezas (ilusórias) abrem espaço para uma infinidade de dúvidas, o questionamento de questões que eram inquestionáveis…

Esse novo cenário que se descortina diante de nossos olhos pode ser assustador e mobilizador de profunda angústia.

Freud afirmava que uma das grandes fontes de sofrimento humano é aquele advindo dos relacionamentos interpessoais.

No campo dos relacionamentos conjugais, nos deparamos com inúmeras situações que podem gerar dor, tais como: conflitos, relacionamentos abusivos, ciúmes, inseguranças, expectativas não correspondidas e frustrações diante da idealização de como “deveria ser” um relacionamento. Podemos experimentar ainda o sentimento de solidão à dois, ou a constatação de nosso narcisismo ferido diante da alteridade do outro, ou seja, perceber que as vontades e desejos do outro, que sua própria subjetividade não corresponde aos nossos desejos e expectativas.

Emprestando as palavras de Ana Suy; “ Não há encontro com o outro que vai nos livrar do desencontro com a gente mesmo”.

Em todas as nossas relações amorosas, nossas fantasias infantis se atualizam, quando, por exemplo, desejamos intensamente ser “a prioridade” na vida do outro, quando experimentamos a sensação de que o outro não nos fornece a atenção que desejamos ou supomos merecer, ou quando esse outro não “advinha” desejos e expectativas que não foram por nós, claramente comunicados. São todas fantasias infantis que remontam ao período de nossa pré- história, à uma fase de nosso desenvolvimento, onde alguém exerceu essa função de identificar, traduzir e nomear todas as nossas necessidades.

Depositamos em nossos pares, inúmeros conteúdos de tudo que desejamos que seja uma relação ideal, tendemos a “inventar” a pessoa amada.

De acordo com Fernando Pessoa: “Nunca amamos alguém, amamos tão somente a idéia que fazemos de alguém”.

Inevitavelmente, em todas essas situações acabamos por nos dar conta de que algo sempre estará faltando, nunca será suficiente, nos deparamos com essa falta sempre presente em nós e em nossos relacionamentos.

Contudo, grandes transformações podem surgir a partir de um período de crise, por mais complexo e desafiador que pareça ser, atravessá-lo. Tendemos a nos acomodar diante de algumas situações, por mais nocivas ou esterilizantes que sejam, uma vez que nos acovardamos com o medo da mudança e do desconhecido. E a vivência desses momentos de desconstrução, é necessária para que novas construções possam emergir.

O processo de análise pode se apresentar como um caminho em direção a essas construções, a novas maneiras de ser e estar na relação com o outro e na busca de novas perspectivas para lidar com nossa existência faltante.

A psicoterapia de casal é uma modalidade de tratamento que também pode ajudar a transformar uma vivência de sofrimento repetitivo em um espaço criativo e fértil, através da compreensão dos fatores inconscientes e determinantes das múltiplas variações desse tipo de vinculo, assim como os fatores envolvidos na constituição do casal.

O papel do psicólogo nesse contexto é o de mediador das questões que permeiam a relação conjugal, em função da dificuldade e/ou impossibilidade que os parceiros apresentam de ouvir um ao outro e comunicar-se.

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Alice Santana Psicóloga | 2025
By Ideiaria